Vibrações criações de 1995/2025

A Apresentação do Projeto: Antes do Som
O trabalho do Mestre e da AABC (Associação de Afro-Brasileira de Capoeira) é um ecossistema de Vibração.
Não se trata apenas de música ou de desporto; é uma intervenção profunda no Bem-estar e na Consciência Social. O projeto 'Antes do Som' nasce para dar visibilidade ao alicerce de tudo: a palavra escrita.
Cada letra aqui publicada é o fundamento que precede o jogo. É onde o Mestre deposita a sua visão sobre a resistência, a educação e a ancestralidade. Ao lermos estas poesias, estamos a aceder à intenção pura, à vibração mental que depois se transforma em som e em movimento na roda.
"É a prova de que na Capoeira, para o corpo gingar com sentido, a mente tem de estar escrita com propósito." Nelson Andrade Rodrigues Barros Dobrão de Ouro Capoeira 1997/1999 atualmente AABC CAPOEIRA
Mestre Nelson Barros - Corisco Africano
"Antes do Som" AABC Capoeira toca o Berimbau
Nesta obra, o berimbau não é apenas um instrumento; é a voz da AABC. Quando ele toca, convoca a comunidade para o equilíbrio entre o corpo e a mente. É o som que transforma a tradição do Mestre Nelson Barros em ação social no presente. saber ancestral, como desporto e, acima de tudo, como um consolo e guia para o bem-estar.
Título letra: AABC Capoeira toca o Berimbau
A-A-B-C, toca o berimbau
A-A-B-C, no toque original
É luta, é dança, é um saber ancestral
A Capoeira vence o mal!
Chegou na roda, olê, pra mostrar o seu valor,
Traz no corpo a ginga, traz na alma o seu amor.
A força do negro, a herança de Angola,
Nossa Capoeira que nos guia e nos consola.
A-A-B-C, toca o berimbau
A-A-B-C, no toque original
É luta, é dança, é um saber ancestral
A Capoeira vence o mal!
Louvado seja o Mestre, louvada seja a tradição,
A Capoeira é arte, é o nosso desporto.
Afro-brasileiro pro mundo, o axé se espalhou,
A semente da AABC, quem planta somos nós, doutor!
A-A-B-C, toca o berimbau
A-A-B-C, no toque original
É luta, é dança, é um saber ancestral
A Capoeira vence o mal!
Ginga bonita no pé, toque forte na mão,
Respeita o seu irmão, escuta o coração.
Cultura que resiste, que jamais vai se apagar,
Axé à Capoeira, vamos todos vadiar!
A-A-B-C, toca o berimbau
A-A-B-C, no toque original
É luta, é dança, é um saber ancestral
A Capoeira vence o mal!
É o hino da semente que plantamos juntos, unindo a força da nossa herança ao compromisso com o futuro.
Letra e cantos de Nelson Andrade Rodrigues Barros e Alunos da AABC CAPOEIRA do projeto ação social Apelar-te da Quinta da Fonte Loures Portugal 1997-2006 publicado 2025
Autor: Nelson Andrade Rodrigues Barros
Interpretação: Corisco Mestres Barros e Alunos
AABC Capoeira
"Antes do Som" Canta AABC Capoeira
Este é um poema (letra de música) que transborda vitalidade e consciência. Ele não trata a Capoeira apenas como uma luta ou dança, mas como um elo ecológico e espiritual entre o ser humano e o planeta.
A letra Canta AABC Capoeira de Nelson Andrade Rodrigues Barros para o projeto Vibrações – AABC é um manifesto de harmonia. Ao unir o universo da Capoeira com a preservação ambiental, o autor nos lembra que a "roda" não acontece apenas entre quatro paredes ou numa praça, mas dentro de um ecossistema vivo que pulsa e respira.
Canta AABC Capoeira
(Letra oficial do projeto Vibrações – AABC)
Canta, A.A.B.C, canta a natureza,
Onde a vida pulsa com tanta beleza!
Filho da terra, filho do mar,
A Capoeira tem muito pra nos ensinar!
Olê, viva o vento, viva a folha que cai no chão,
Nossa roda é o ciclo da vida, nossa canção.
A força do nosso jogo é como o rio que corre,
Se a gente não cuida da terra, a semente morre.
Canta, A.A.B.C, canta a natureza
Se a ancestralidade nos deu um bom caminho,
Cuidar da floresta é o nosso dever, é o carinho.
A Capoeira ensina a ter a raiz forte no chão,
Como a árvore centenária, nossa sustentação.
Canta, A.A.B.C, canta a natureza
Salve Iemanjá, Salve Oxóssi caçador,
No axé da mata, sentimos o nosso valor.
A ginga é a onda, o movimento do mar,
A A.A.B.C Capoeira nos mostra como é bom preservar!
Canta, A.A.B.C, canta a natureza
A Conexão com os Elementos
O texto utiliza metáforas poderosas para descrever a movimentação do capoeirista:
O Rio e o Vento: O jogo é comparado ao fluxo das águas e ao movimento das folhas, sugerindo que a agilidade na roda deve ser tão natural quanto os ciclos da natureza.
A Árvore Centenária: A "raiz forte no chão" simboliza tanto a base técnica do praticante quanto a ancestralidade que sustenta o grupo AABC. Sem raízes (história e respeito à terra), não há sustentação.
Ancestralidade e Sustentabilidade
A menção a Iemanjá e Oxóssi traz a dimensão do sagrado. Ao saudar as divindades das águas e das matas, o poema reforça que a Capoeira é herdeira de uma cultura que sempre viu a natureza como uma extensão do próprio corpo. Cuidar da floresta e do mar deixa de ser um "dever chato" e passa a ser um ato de carinho e Axé.
O Alerta Necessário
No coração da Estrofe I, reside o aviso mais importante: "Se a gente não cuida da terra, a semente morre". É um chamado à responsabilidade. A Capoeira da AABC se posiciona aqui como uma ferramenta de educação ambiental, ensinando que para cantar a beleza da vida, é preciso, antes de tudo, garantir que a vida continue a pulsar.
Resumo: "Canta AABC" é um hino de celebração. É o reconhecimento de que o capoeirista é, acima de tudo, um filho da terra e do mar, e que sua ginga deve ser o movimento que protege e preserva o mundo ao seu redor.
Autor: Nelson Andrade Rodrigues Barros
Interpretação: Corisco Mestres Barros e Alunos
AABC Capoeira
"Antes do Som" De corpo e alma, a roda vai girar
Esses versos elevam o tom da narrativa. É um texto que fala sobre a imortalidade de uma cultura que sobreviveu ao silêncio forçado.
Aqui está uma reflexão sobre essa segunda parte da obra:
De corpo e alma, a roda vai girar
O Gunga como Bússola
A letra destaca o papel do Berimbau Gunga. Ele não é apenas um instrumento; é quem guia o ritual. O "toque do gunga" é a voz do comando, a cadência que permite à alma se expandir para além do movimento corporal. É o som que conecta o presente com o passado.
A Voz que o Tempo Silenciou
Um dos pontos mais emocionantes é a referência à libertação e à resistência.
Ao mencionar "a voz que o tempo silenciou", o autor resgata a memória dos escravizados que fizeram da Capoeira sua ferramenta de sobrevivência e fé.
O "voo do mortal" e o "balanço do aú" deixam de ser apenas acrobacias e passam a ser interpretados como um grito de liberdade físico e simbólico.
De corpo e alma, a roda vai girar,
A A.A.B.C tem arte no seu olhar.
É a chama acesa que ninguém vai apagar,
É o toque do gunga que a nos guiar!
Na cadência do toque gunga,
A Capoeira acende, a alma se expande.
É a poesia do corpo, o voo do mortal,
O grito de liberdade, força ancestral!
De corpo e alma, a roda vai girar,
Traz no seu canto a voz que o tempo silenciou,
A fé dos meus irmãos que a Africa libertou.
No balanço do aú, na defesa do coquinho,
A semente da A.A.B.C floresce em cada caminho.
De corpo e alma, a roda vai girar,
A luz da nossa cultura, jamais será esquecida,
A beleza do jogo, a lição de toda vida.
Quando a Lua de Luanda beija o chão do Brasil,
A força do nosso axé se revela em corpo gentil.
De corpo e alma, a roda vai girar.
O Encontro de Mundos: Luanda e Brasil
A imagem poética da "Lua de Luanda beijando o chão do Brasil" é belíssima. Ela ilustra perfeitamente o nascimento dessa cultura: uma semente africana que floresceu em solo brasileiro. Esse "beijo" resulta no Axé, essa energia que se revela no "corpo gentil" do capoeirista, que é forte na luta, mas elegante na arte.
A Imortalidade da Cultura
A repetição do verso "De corpo e alma, a roda vai girar" funciona como um mantra de continuidade. Diz que, enquanto houver um capoeirista da AABC com a "chama acesa", a cultura nunca será esquecida. A "lição de toda vida" é que a roda é eterna porque se renova em cada novo praticante (a semente que floresce).
A poesia de Nelson Andrade Rodrigues Barros para a A.A.B.C CAPOEIRA descreve a Capoeira como uma "chama acesa", uma força que transcende o físico. Aqui, o foco está na ancestralidade como combustível para a arte contemporânea.
Autor: Nelson Andrade Rodrigues Barros
Interpretação: Corisco Mestres Barros e Alunos
AABC Capoeira
"Antes do Som" Ginga e canta A.A.B.C
O hino diplomático olha para o horizonte e para o outro. É uma letra que transforma o capoeirista em um embaixador da paz.
Aqui está uma análise focada exclusivamente nesta composição:
A.A.B.C Mundo Afora: A Ginga como Idioma Universal
Esta letra de Nelson Andrade Rodrigues Barros apresenta a Capoeira não apenas como uma prática cultural, mas como uma ferramenta de cura global. Ela é construída sobre três pilares fundamentais:
Ginga e canta, A.A.B.C Capoeira,
pelo mundo a fora,
Ginga e canta, A.A.B.C Capoeira,
pelo mundo a fora,
A paz que o Universo clama é pra chegar na hora.
Luz e axé no jogo, sem rancor, sem mal,
A A.A.B.C Capoeira é o abraço Universal!
Olê, o berimbau chamou, mandou a gente cantar,
Pedindo harmonia para o mundo se curar.
Se a vida é uma roda, olê, o jogo vai girar,
A semente da paz a A.A.B.C Capoeira vai plantar.
Ginga e canta, A.A.B.C Capoeira,
pelo mundo a fora
Ginga e canta, A.A.B.C Capoeira,
pelo mundo a fora
Não importa a cor, nem a terra, nem a nação,
No peito do Capoeira bate um só coração.
Trazemos no sangue a força da resistência,
Mas o que buscamos é a fraternidade e a convivência.
Ginga e canta, A.A.B.C Capoeira,
pelo mundo a fora
Ginga e canta, A.A.B.C Capoeira,
pelo mundo a fora
Que a maldade vire aú, que o ódio vire aú sem mão,
Que todo golpe dado seja só uma lição.
A cultura negra ensina que a união faz a força,
E a Paz no Universo é a nossa maior torça!
Ginga e canta, A.A.B.C Capoeira
pelo mundo a fora
Ginga e canta, A.A.B.C Capoeira,
pelo mundo a fora
1. A Capoeira sem Fronteiras
O refrão "pelo mundo afora" e a afirmação de que "não importa a cor, nem a terra, nem a nação" mostram uma visão cosmopolita. A A.A.B.C se projeta como uma escola que utiliza a cultura negra para unir povos. No peito do capoeirista, o coração bate em um ritmo que qualquer ser humano, em qualquer lugar do planeta, pode entender.
2. A Alquimia da Paz (Transformação)
O trecho mais impactante desta faixa é a transformação da negatividade em movimento:
"Que a maldade vire aú, que o ódio vire aú sem mão"
Essa é uma metáfora poderosa sobre transmutação. O autor sugere que a disciplina e a beleza da Capoeira têm o poder de pegar sentimentos brutos e destrutivos (ódio e maldade) e transformá-los em algo plástico, leve e acrobático (o aú). É o jogo servindo de lição para a vida: se houver um conflito, que ele seja resolvido com a agilidade e a inteligência da arte, e não com a violência.
3. O Axé contra o Rancor
A letra é um pedido de "harmonia para o mundo se curar". Ela define o jogo da A.A.B.C como um "abraço universal". Isso é muito forte dentro da Capoeira, pois retira qualquer sombra de agressividade gratuita e coloca a fraternidade e a convivência como os verdadeiros objetivos do grupo.
Pontos de Destaque para Reflexão:
O Sangue da Resistência: O poema reconhece a luta histórica, mas escolhe usar essa força para construir a paz, e não para o revide.
A Semente da Paz: A A.A.B.C assume a responsabilidade de ser quem planta essa semente em cada roda realizada.
Espiritualidade Prática: O "Axé no jogo" é apresentado como uma luz necessária para o Universo.
Autor: Nelson Andrade Rodrigues Barros
Interpretação: Corisco Mestres Barros e Alunos
AABC Capoeira
"Antes do Som" Iê Viva meu Deus, Iê
Aqui está uma interpretação ponto a ponto dos significados e símbolos presentes nos versos:
1. A Tradição (O "Iê")
A letra começa com o tradicional "Iê!", um brado que pede atenção e abre a roda de capoeira, estabelecendo uma conexão espiritual ("Viva meu Deus") e com a própria arte ("Viva a Capoeira"). É o momento de reverência antes de contar a história.
2. A Ponte entre África, Cabo Verde e Portugal
Estes versos traçam a rota da diáspora e da resistência:
"Que vem de lá da África / Do chão de Cabo Verde": Reconhece a raiz africana da capoeira e a importância estratégica de Cabo Verde como ponto de conexão cultural.
"Chegou em Portugal / Pra firmar o nosso pé": Refere-se à missão de Mestre Nelson Barros de levar a capoeira para a Europa (Portugal), estabelecendo raízes sólidas ("firmar o pé") e mantendo a identidade da arte viva fora do Brasil.
Essa letra é uma belíssima homenagem do aluno Voo da Coriscos Capoeira a seu mestre (uma "ladainha" ou "chula") que celebra a linhagem, a resistência e a expansão da Capoeira, focando na figura do Nelson Andrade Rodrigues Barros Corisco Africano o Mestre Nelson Barros.
Iê Viva meu Deus, Iê!
Iê Viva a Capoeira, Iê!
Meu Mestre me contou, Iê!
Uma história de axé, Iê!
Que vem de lá da África, Iê!
Do chão de Cabo Verde, Iê!
Um Bamba de valor, Iê!
Que chegou em Portugal, Iê!
Pra firmar o nosso pé, Iê!
Com a ginga e o saber, Iê!
Mestre Nelson Barros, Iê!
Vamos lhe saudar, Iê!
A-ê!
Iê, Mestre Nelson Barros!
Iê, Capoeira te chamou!
Chama Mestre Nelson, chama
Chama Mestre Nelson, chama
Ele é Corisco Africano
Ele é Corisco Africano
A sua ginga me alucina
Ele ensinou Capoeiragem
E a história quem contou
A AABC Capoeira se levantou
Com a força do seu Mestre
Deixa o Bamba vadiar
Bota o toque no Berimbau
Pra saudar Portugal
Iê, volta do mundo!
3. O "Bamba" e o "Corisco Africano"
Mestre Nelson Barros: É descrito como um Bamba (alguém de grande habilidade, sabedoria e respeito).
Corisco Africano: "Corisco" remete a um raio ou algo muito rápido e perigoso (nome também associado a figuras lendárias do cangaço). Chamar o mestre de "Corisco Africano" ressalta sua agilidade, força e a natureza fulminante de sua ginga.
4. O Legado na AABC Capoeira
A letra cita a AABC (Associação de Apoio ao Bem Comum / Capoeira), indicando que o Mestre foi o pilar para que essa instituição "se levantasse". A força do Mestre é o que sustenta o grupo e permite que os alunos aprendam a "Capoeiragem" — que não é apenas luta, mas uma filosofia de vida.
5. A Celebração e a "Vadiaçao"
"Deixa o Bamba vadiar": Na capoeira, "vadiar" é o ato de jogar, brincar na roda com liberdade e criatividade.
"Bota o toque no Berimbau / Pra saudar Portugal": É um reconhecimento de que Portugal se tornou um território sagrado para a capoeira através desse mestre, pedindo ao instrumentista que toque o berimbau em sinal de respeito ao país que acolheu a tradição.
Resumo do Sentido
A letra é um registro histórico cantado. Ela valoriza Mestre Nelson Barros como um promotor cultural que atravessou o oceano carregando o "Axé" (energia/poder) e o saber dos antigos, garantindo que a "ginga" africana fincasse bandeira em solo português com dignidade e técnica.
Autor: Aluno da Coriscos Capoeira
Interpretação: Voo da Coriscos e Alunos
AABC Capoeira
